Amigos,

Fiz meu C de Diamante em Bebedouro, ontem, quinta-feira 18/10/2012. Foi um voo de 300,2km prefixado, ida e volta, em 5:04hs, velocidade média de 59,18km/h, total de 5:21hs. Fui para Bebedouro para participar da Etapa Sudeste do 54º Campeonato Brasileiro de Voo a Vela com o PW-5 PP-XBK (CK) com o objetivo de tentar os 300km prefixado se fosse possível. Resolvi tentar no último dia pois a meteoro prometia ser a melhor do campeonato. Durante o briefing do dia, muito bem conduzido pelo Navarro, campeão da Etapa, foi dito que a meteoro seria espetacular para o setor norte, a “Terra Prometida” (Minas Gerais). Marcaram uma prova de três áreas com 273km, mínimo de 197km e máximo de 780km. A primeira área era para o norte e o ponto que eu pretendia alcançar estava dentro dela. Ou seja, seria possível fazer meu C de Diamante, dentro da prova e ainda conseguir bons pontos no campeonato. Depois de conversar com alguns competidores e com meu amigo Pirola, que estava voando de Quero-quero (LD) e pretendia voar junto comigo neste desafio, decidimos abandonar a prova, colocar nossos planadores (CK e LD) na frente do grid, decolar mais cedo e solicitar um reboque de 1.000m para não perdermos tempo.

No caminho para a cabeceira, o Bassi me disse que o Galvão previa a possibilidade do dia ficar azulado (ou seja, seria difícil encontrar as térmicas, o que obrigatoriamente reduz a velocidade média). Preferi ignorar esta informação e concentrei no voo. O reboque(Bodão) foi perfeito e me deixou a 1.000m de altura, perto do setor de largada exatamente às 11:30, como planejado. Já tinha muitos cumulus, porém estava reciclando muito rápido e tive dificuldades para subir até a base das nuvens, resolvi largar as 11:36 com 1.060m. Encontrei minha primeira térmica uns 4km a frente e descobri que a base estava a 1.300m. Seria uma prova difícil. Fui bem devagar, rodando qualquer coisa, esperando o dia melhorar, uma hora depois estava em Barretos, tinha percorrido apenas 50km e a base já estava em 1.500m. Se continuasse assim não iria conseguir, pois o dia térmico iria acabar em 4 horas.

Precisava desesperadamente aumentar a velocidade. Subi em uma térmica até 1.600m e rumei em direção ao Rio para cruzá-lo sobre a ponte que leva à cidade de Planura. Deu tudo certo, não encontrei as tão temidas descendentes sobre o rio, mas cheguei do outro lado com 600m e o pior estava acontecendo, o dia estava ficando azul, sem nuvens, comecei a procurar térmicas olhando para o solo. Felizmente consegui subir e a medida que rumava para o norte a base foi ficando mais alta até atingir uns 2.100m com térmicas de 3,5m/s com picos de até 5.0m/s com algumas nuvens ainda. Nesta etapa tive que lidar com problemas de conexão entre o iPaq e o LX Nano (via Bluetooth). Por um milagre, usando uma caneta, consegui reconfigurar o iPaq para utilizar o GPS interno, desconfiando que o LX Nano (registrador oficial do voo que instalei sob o Plex de forma que não dava para ver o status das luzes indicativas) tinha pifado. Passei a contar com o eTrex como registrador.

Virei o ponto 150km fora de Bebedouro às 14:38 com 3 horas de prova. A velocidade média continuava baixa, 50km/h. Ao analisar o caminho de volta vi que estava todo azul, com alguns poucos e pequenos cumulus. Olhando com muita atenção observei que dava para ver os fiapos aonde antes havia nuvem e tracei meu voo por entre eles. Deu certo, fiquei alto o tempo todo e fiz um planeio de 33km com L/D de 1:38, a velocidade aumentou para 70km/h.

Comecei a acreditar que iria conseguir. Mas ainda tinha que cruzar o rio e não havia mais os fiapos para me orientar. Dava para ver que o azulão estava limitado à Barretos, 30km a frente. Eu tinha 1.100m de altura e era necessário encontrar alguma coisa antes de rumar para lá. Comecei a olhar novamente para o solo e rodei qualquer coisa que encontrei pelo caminho até que consegui centrar uma térmica que me levou de volta aos 1.500m. Barretos estava garantido e a chance de encontrar uma térmica forte iria aumentar. Com Mcready zero fiz um planeio até Barretos de 23km com 1:32. Chegando em Barretos, subi até 1.600m, tinha entrado no planeio final, prevendo chegar em Bebedouro com 300m de altura. Ainda iria sofrer mais um pouco, o eTrex começou a avisar que a bateria estava fraca e eu poderia perder o registro do voo. Tive a ideia de desligar a iluminação da tela para economizar, o que deu certo. Foram mais de 40km sem rodar nada, fazendo conta, com medo de encontrar descendentes pelo caminho, mesmo sabendo que conseguiria. Avisei no rádio que estava 10km fora, eu tinha 650m de altura e entrei no setor de chegada com 350m. A prova estava completada! Ao abrir o Plex vi as luzes do LX piscando, o que significava que o voo estava sendo registrado o tempo todo e ai a felicidade foi completa. Soube depois que o Pirola não conseguiu completar e pousou fora (em pista) cerca de 75km fora.

Gostaria de agradecer minha equipe Jane Motta (esposa), Wendel (nativo da região), Lage, ao rebocador Bodão que me levou ao ponto certo de largada, Pimenta pelas dicas, Pirola pelo incentivo e coragem de tentar este voo difícil de queréu junto comigo, ao Ângelo, Marcel e a todos os pilotos e equipes que estavam em Bebedouro torcendo pelo meu sucesso e que ajudaram de alguma forma.

Muito obrigado Bebedouro.

Voo na OLC: http://www.onlinecontest.org/olc-2.0/gliding/flightinfo.html?dsId=2771948

Valença (CK)